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1ª Quarteada da Amizade do Vale do Taquari

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1ª Quarteada da Amizade do Vale do Taquari
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O Povo

Alma de gaúcho

logo O gaúcho mantém no dia-a-dia e no peito as tradições de sua gente e o orgulho de pertencer a esse estado diferente dos outros, o Rio Grande do Sul. Ao cultivar hábitos simples como a cuia de mão em mão, o povo desta terra finca pé na sua cultura e identidade. E contraria a tendência de internacionalização ao defender o local em relação ao mundial. Na busca da alma do Rio Grande do Sul - som, cor, forma, cena e cenário -, as regiões que compõem o Estado representam a combinação de diferentes universos simbólicos em suas dinâmicas sociais, econômicas e culturais.
Um olhar para trás remonta a Revolução Farroupilha e o passado rural - representado pela vida na estância. São sinais distintos, marcos decisivos na relação do Estado com o restante do Brasil e construção de sua identidade. Símbolos que permitem buscar nas tradições e identidades a forma de ser diferente do resto do país.

Influências de fatos históricos

A constituição desta identidade cultural gaúcha está relacionada a importantes fatos históricos. Na fase inicial do tradicionalismo, o primeiro foi a criação do Partenon Literário, em 1868. Era uma associação de literatos e intelectuais que exaltava a temática regional. O segundo acontecimento foi a fundação do Grêmio Gaúcho de Porto Alegre. A entidade, que ensaiou os primeiros passos em 1898, tinha o objetivo de comemorar fatos e datas relevantes da história gaúcha. Na segunda fase do tradicionalismo gaúcho, é marco a criação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas, em 1948. A sigla, CTG, identifica até hoje o que veio a tornar-se, em 1966, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), com a congregação da maioria das entidades nativistas do Rio Grande do Sul. Este consolida as iniciativas anteriores e dá corpo ao conjunto de elemento que constituem o imaginário regional, baseado no universo campeiro da fronteira oeste do Estado.

O começo com a Califórnia

Os CTGs espalharam-se pelo interior do Rio Grande do Sul e tornaram-se manifestação regional hegemômica até 1971, quando um novo acontecimento marca a história da cultura gaúcha. A Califórnia da Canção Nativa é criada em Uruguaiana, fronteira com a Argentina. O festival de música foi concebido para abrigar composições de temática regional - o gênero fora recusado em outro evento. A Califórnia encanta e vira sucesso. Seu êxito impulsiona cerca de 50 festivais, dando início ao Movimento Nativista, que alcançou seu auge na década de 80.

Nas ondas do rádio ou nas páginas de jornal

A cobertura dos meios de comunicação mostrou ao Rio Grande o êxito dos movimentos tradicionalista e nativista. Na era do rádio, o Tradicionalismo obteve apoio da Rádio Farroupilha, a partir de 1953, com o programa Grande Rodeio Coringa. Também do jornal Diário de Notícias, com a coluna Tradição, que noticiava o impulso do movimento, com a criação de CTGs.
O Nativismo nasceu dentro de um CTG - Sinuelo do Pago, em Uruguaiana. Diante de seu sucesso no interior do Estado, recebeu cobertura imediata dos meios de comunicação de várias localidades. Na capital, apenas da rádio Guaíba. A importância do movimento só chegou aos noticiários dos veículos de Porto Alegre uma década depois, quando já consolidado pelos recantos do Rio Grande. O Nativismo desencadeou um novo debate sobre a identidade cultural gaúcha, fortalecendo-a mesmo em meio à bem estruturada indústria da cultura nacional e internacional.

Constante construção

Paralelo ao tradicionalismo, muitas outras representações culturais apontam um caminho para a construção da identidade rio-grandense plural e heterogênea. O gaúcho nasce mestiço; do ventre fácil da índia, com o pai ibérico, dono das tradições árabes, que vinha à Ámérica fosse espanhol ou português, trazendo a indumentária, o cavalo e os meios de vida. O sangue ancestral quente, bravo, audaz e impulsivo vibrou livre nas coxilhas e o pala esvoaçante tremulou aos ventos do sul como uma bandeira de liberdade.



Última atualização ( Seg, 16 de Março de 2009 17:03 )